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"Mesmo que o rádio não toque, mesmo que a TV não mostre
Aqui vamos nós, cantando reggae, aleluia Jah!"
EDSON GOMES

Meu Contato: silvaniorootsreggae@yahoo.com.br

Versículos

18/05/2010

Virada Cultural 2010

A Virada Cultural 2010 teve um gostinho especial para os amantes do ritmo de Jah. Tudo isso porque alguém teve o bom gosto - e porque não dizer audácia - de trazer ícones do estilo para a nostálgica alameda Barão de Limeira. Além da inusitada, desejada e comemorada "jam" entre Cidade Negra e Ras Bernardo - o primeiro show em anos com o ex-vocalista - o grande Pablo Moses, a maravilhosa Fully Fullwood Band e o lendário Clinton Fearon, ex-baixista dos Gladiators, abrilhantaram esta "Virada" que seguramente será uma das melhores da história (mesmo que nova), e torcemos para que ela dure muito. Porém, esta matéria tem por finalidade destacar uma presença inédita de um "rocker" que roubou a cena.

BIG YOUTH

A escolha do músico e Dj jamaicano Manley Augustus Buchanan - o Big Youth - como a principal atração no segundo e último dia do evento, sacudiu os regueiros de plantão. No palco dedicado aos fãs do reggae, ska, raggamuffim, dance hall e outros ritmos, os sentimentos se afloraram.

Youth, do alto dos seus 61 anos e com o seu leão de Judá pendurado no peito, esbanjou vitalidade, alegria e muito entusiasmo durante o show, e por nenhum momento deixou de dançar, soltar seus "scorchers" e gritos, sacudir seus dreadlocks grisalhos e abrir seu belo e famoso sorriso dourado para o público, que extasiado e em perfeita sintonia retribuía com palmas e pedidos de clássicos como "Movin’ On", "Train to Rhodesia", "Screaming Target" e "Hit the Road Jack", cover de Ray Charles.

(o famoso sorriso de Big Youth)


Acompanhado por músicos competentes como Tony Chin, guitarrista da "Fully" que não perdeu a oportunidade de dar uma canja com o astro, Big fez a alegria da galera com suas canções e as já tradicionais mensagens positivas do tipo: "Cuidem-se, amem e celebrem a vida, façam sempre a coisa certa, façam o bem que todo resto é permitido... que Jah nos abençoe nesta noite. Rastaaaaa!".

Seu último e surpreendente trabalho, "Musicology", também foi executado com bastante imponência sonora, que aliás, foi de arrepiar, levantando até impressões do público de estarem ouvindo ao vivo os não menos lendários Sly & Robbie. Apenas para constar, Sly Dumbar participou realmente do álbum "Musicology", e "só" por isto se torna digno de pesquisa.



(Tony Chin em palco com Youth)


OS DJs JAMAICANOS

Big Youth é um daqueles artistas raros. Mesmo tendo iniciado sua carreira no final dos anos 70, faz parte de uma safra de "cantores" eternizados pela grande estrela U-Roy (seu mentor), mas que já existem a muito tempo na Jamaica. Os DJ jamaicanos (neste caso é uma abreviação de DeeJay e não DiscJóquei) eram responsáveis por divulgar e animar as festas promovidas pelas Sound Systems nos guetos de Kingston, rimavam e acrescentavam pequenos efeitos vocais em cima das bases tocadas nos aparelhos de som, fazendo muito sucesso entre a população local e até mesmo na Inglaterra.

O primeiro deejay, apesar de não muito conhecido, foi Count Machuki da Tom the Great Sebastian (a primeira Sound System que se tem conhecimento) que ainda tocava R&B e um pouco de Ska. Dessa cultural popular surgiram diversos "rimadores" (ou toasters), dentre os quais podemos destacar King Stitt e U-Roy que começaram na Sound System de Sir Coxsone Dodd (Downbeat the Ruler), trabalhado posteriormente com King Tubby no Duke Reid’s Sound System, já na época do dub, explodindo de vez como estrelas na Jamaica e influenciando toda uma geração de artistas americanos que utilizaram o estilo do "deejayin" jamaicano para desenvolver o rap (sim, o rap só existe por causa da Jamaica!).

"DO GUETO AO GUETO"

Carinhosamente apelidado como "Palco da Maconha", a estrutura foi montada na Alameda Barão de Limeira entre dezenas de lojas de motos, pequenos hotéis decadentes e alguns, não tão raros e robustos prédios e sobradões ricos em adornos e que, mesmo abandonados e depredados, são testemunhas de histórias deste pedaço que já foi um dos mais elegantes e exclusivos da cidade.

Hoje, é frequentado por apressados motoboys, imigrantes africanos e muitos viciados em crack expurgados da vizinha Cracolândia, que perambulam feito zumbis pelas ruas da região. Do gueto ao gueto, Jamaica e Brasil tem muito mais em comum do que a forte influência africana. A marcação do baixo e os ecos do dub ou do funk ouvidos em suas esquinas, a pobreza e a alegria mesmo com tantas dificuldades nos aproxima.

O clima durante a apresentação foi tranquilo e sem nenhum incidente. Em meio a uma suave e perfumada nuvem de fumaça que pairava sobre as cabeças, policiais alheios e tranquilos faziam a segurança do lugar onde se via muitas crianças, casais, idosos, familias e principalmente jovens dos mais diversos cantos e das mais distintas classes sociais que puderam se unir, compartilhar e celebrar bons e divertidos momentos diante de um dos mais carismáticos e importantes músicos da história do reggae. Sua benção Big Youth, coloque o Brasil em sua rota!

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