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"Mesmo que o rádio não toque, mesmo que a TV não mostre
Aqui vamos nós, cantando reggae, aleluia Jah!"
EDSON GOMES

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Versículos

22/03/2009

Mutabaruka


Mutabaruka -  Melanin Man (1994)

01. Beware
02. Haiti
03. People's Court Part II
04. Columbus Ghost
05. Dance
06. Miss Lou
07. Bone Lie
08. Killin
09. Garvey
10. Lamentation
11. Melanin Man
Mutabaruka ( Allan Hope) nasceu na cidade de Rae, Kingston em 26 dezembro de 1952. Após a instrução preliminar ingressou na High School técnica de Kingston, onde foi estudante por quatro anos. Treinado na eletrônica, deixou seu primeiro trabalho após aproximadamente seis meses e fez exame de emprego no Jamaica Telefone Companhia limitada. Durante seu tempo no Telefone Companhia começou a examinar o Rastafarianismo e a encontrá-lo mais significativo do que o Catolicismo Romano ou o radicalismo político em que se encontrava.No começo dos anos 1960's e no final dos anos 1970's havia um revival da consciência negra na Jamaica, na cola de um fenômeno similar nos Estados Unidos. Mutabaruka, então em sua juventude ingressou nesse movimento. Certamente, na escola leu muitos “livros progressivos” incluindo a alma do Cleaver de Eldrige no gelo e alguns que eram então ilegais na Jamaica, tal como o Autobiografia de Malcom X. Mutabaruka via a si mesmo como um revolucionário novo. Mas quando aprofundou sua investigação no Rastafarianismo, que tinha considerado uma vez como essencialmente a voz passiva, veio encontrar seu pensar mais radical do que aquele do grupo non-Rastafarian com que tinha se associado. Quando empregado ainda no Telefone Companhia, parou de pentear seu cabelo, deixou crescer as dreads, alterou sua dieta, e declarou a si mesmo como Rastafariano. Um grande número de seus amigos pensaram que ele estava ficando louco!O poema de Mutabaruka é direto e político. Essa realidade não é tão distante da nossa. Percebe-se o olhar crítico à política econômica do endividado Caricom, um similar do combalido Mercosul. As mazelas dos planos econômicos, a sua face visível, são o alvo do discurso poético. No plano estético, a cultura reggae se afasta de tudo o que se assemelhe ao verniz literário burguês. Opta por formas cotidianas do linguajar de rua, preservando um tom duro e agressivo. Isto evita que a linguagem soe burguesamente "educada".Elisões, junções, corruptelas, gírias, e uma fonética própria: "One be one", isto é, /bi/ ao invés de /bai/ (mas também one be one, pois se trata de uma dubiedade tipicamente poética). Isto está claramente demonstrado no título de outro poema de Mutabaruka: "Dispoem". A linguagem poética, neste caso, já é um protesto antes de veicular qualquer mensagem.Mutabaruka mantém-se fiel às origens e à cultura do seu povo. Ele diz, em sua poesia social, aquilo que acha ser preciso para uma conscientização e uma posterior libertação. Sua arte está a serviço de uma causa, que ele crê justa. Seu discurso soa sincero, sem nuances sofisticadas da suspeita sobre o seu sistema de valores ou a auto-crítica e a metalinguagem típicas do modernismo. Sua poesia, mais realista do que mística, não se sustenta no plano puramente estético ou transcendental, mas ao nível da vida.

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